Coluna do Parapente

Analisando o High Level '96

Ruy Marra (RJ)

05 vitórias

Xenon

João Luiz (MG)

04 vitórias

Xenon

Renato Pereira (RJ)

04 vitórias

Xyon

Zé Renato (RJ)

04 vitórias

Xenon

Jerome (SP)

04 vitórias

Alto XMX

Bafinho (RS)

04 vitórias

Sector

Luis Pasquale (MG)

04 vitórias

Energy

André Fleury (BR)

04 vitórias

Zen

Waltinho (RJ)

03 vitórias

Alto

10°

Moisés (MG)

03 vitórias

Xenon

 

1 - Ruy Marra obteve vitorias sobre Marcos Thiengo(ES, Tornado), Paulo Pinto(RJ, Sentra), Waltinho(RJ, Alto), Renato Pereira(RJ, Xyon) e Joao Luiz(MG, Xenon). Teve alguns adversários difíceis, mas fez valer a sua experiência e voou com extrema concentração, não cometendo erros e utilizando seu Xenon no limite do envelope. Soube dominar algumas "fechadas" sem perder o controle do parapente, e conseqüentemente, tempo(que era a servidão fundamental, pois houve provas de até 12 min).

2 - João Luiz venceu a Ricardo Franklin(RJ, Supra), Claudio Haddad(RJ, Xyon), Luiz Pasquale(MG, Energy), Fernando Sequerra (RJ, Zen) e perdeu a final para Ruy Marra(RJ, Xenon). Piloto extremamente tranqüilo e técnico, João Luiz voa com carga alar pequena fazendo uso de lastro quando a condição esta forte. Essa foi uma estratégia que lhe deu vantagem na bateria com Fernando Sequerra, mas que o prejudicou na finalíssima quando sofreu um colapso muito grande que o fez perder tempo e, conseqüentemente, a decisão.

3 - Renato Pereira ganhou de Marcelo Rambo(RJ, Zen), Pedro Chaves(RJ, Xtra), Bruno Menescal(RJ, Alto XMX), Marcio Mendes (RJ, Alto XMX) e perdeu para Ruy Marra(RJ, Xenon). Confirmou a expectativa que se tinha dele. Com cerca de um ano de vôo, Renato mostrou ser um piloto decidido e brigador, derrotando gente bem mais experiente. Sua iniciativa meio exótica na abertura do torneio contra Marcelo Rambo(quando abandonou a térmica fraca a meio caminho da praia para a rampa e partiu para o Cochrane) lhe valeu uma vitória memorável quando todos achavam que ele não chegaria mais a tempo. Sua garra na decisão do terceiro lugar, quando decolou com o tornozelo gravemente torcido pouco antes na rampa fizeram-no merecedor do preito de todos nós.

4 - Zé Renato ganhou de Daniel(RJ, Genesis), Sergio Tanaka(RJ, Xyon), Alexandre Fett(RJ, Genesis), Ruy Pinto(RJ, Xtra) e perdeu para Daniel Schmidt(RJ, Genesis). Outro piloto relativamente novo de muito talento que perdeu a primeira bateria para o Daniel e venceu todas as outras, inclusive, contra o próprio Daniel mais adiante. Voa de Xenon há já algum tempo, tendo-se convertido ao modelo até um pouco prematuramente, mas demonstrou ter a habilidade que o paraca requer.

5 - Jerome venceu Frank Brown(ES) por WO, Fernado "Pezao" Diehl(RJ, Energy), Claudio Haddad(RJ, Xyon), Bruno Menescal (RJ, Alto XMX) e perdeu para Moisés Sodre(MG, Xenon). Jerome é outro piloto de ponta que está sempre nas primeiras colocações.

6 - Bafinho(Luciano Tcacenco, RS, Sector) venceu a Ricardo Barros(SP) por WO, Vinicius "Indiana"(RJ, Kendo C), o papai João Tcacenco(RS, Galaxy), Fernando Sequerra(RJ, Zen) e perdeu para Marcio Mendes(RJ, Alto XMX). O Campeão Brasileiro de 94 perdeu apenas para Marcio Mendes (RJ, Alto XMX) que foi uma grata revelação neste ano de 96.

7 - Luiz Pasquale venceu a Sidney(RJ, Alto XM), Aloisio(RJ, Alto XM), Pedro Chaves(RJ, Xtra), Moisés Sodre(MG, Xenon) e perdeu para João Luiz(MG, Xenon). Pasquale é um piloto bastante regular e de muito talento. Ganhou do Pedro Chaves que é uma figura tradicional do High Level(foi quarto lugar nos dois torneios anteriores em que havia pilotos estrangeiros de altíssimo nível) e do Moisés que e bicampeão brasileiro.

8 - André Fleury venceu a Beto Rotor(RJ, Sabra), Adolphinho(RJ, Harmony), Vinicius "Indiana"(RJ,Kendo C), Waltinho(RJ, Alto) e perdeu para Pedro Chaves(RJ, Xtra). André foi outro que só perdeu a primeira bateria(para o Pedro Chaves) e depois venceu todas. Em verdade, ele teria ganho do Peter Keys, mas teve o seu tempo fechado quando, a 500 m de altura, inadvertidamente, cruzou a faixa ao contornar o primeiro pilão(ele jura que não, mas o Lúcio garante que sim e que ele e o Fabinho Kerr que eram os juízes de faixa só fechavam um tempo depois de se certificarem ambos). André é um piloto acostumado as fortes condições de Brasília que voa no Pepino com relativa tranqüilidade, pois o local não lhe cobra maior esforço da perna em pane. Só que desta vez a coisa não foi bem assim. Ele disse que nunca viu tanta pancadaria como em algumas provas do High Level deste ano. Nem decolando com 50 km/h de vento em Brasília.

9 - Waltinho venceu Roberto Figueiral(RJ, Energy), Tavinho(RJ, Sphinx), Resende(RJ, Atiks) e perdeu para André Fleury(BR, Zen) e Ruy Marra(RJ, Xenon). Waltinho andou se precipitando em algumas baterias e poderia ter-se saido melhor, tivesse tido um pouco mais de tranqüilidade. Continua sendo um competidor de muito respeito, mas excessivamente agitado.

10 - Moisés Sodre venceu Beto Schmidt por WO, Jerome(SP, Alto XMX), Marcio Mendes(RJ, Alto XMX), e perdeu para Claudio Haddad(RJ, Xyon) e Luiz Pasquale(MG, Energy). Moisés e o homem das grandes tiradas em Valadares e das decisões intrépidas. No Pepino, onde a coisa é meio na base da sorte/macete, ele não pode nos mostrar o seu talento.

- Algumas preciosidades ocorreram no torneio que precisam ser divulgadas. Muita gente entendeu que, em não havendo como fazer pilão fora da praia e a prova sendo de permanência, não seria necessário fotografar o prédio que era o primeiro, e resolveu economizar filme. Quem assim procedeu, sifu.

- Nós conseguimos ser derrotados por um fantasma. Eu e o Lars. Ele deu uma cabeçada na quina do telhado do banheiro da AVLRJ e abriu o coco(o mesmo que me aconteceu no ano passado, só que deu para eu ir ao Lourenço Jorge, dar uns pontos e voltar a tempo de voar contra o Moisés). A minha bateria, a segunda do dia, era contra ele. Como ele não apareceu, eu ganharia por WO. Perguntei ao Paulinho Falcão(juiz de rampa) o que tinha de fazer. Ele disse: decolar e cruzar a faixa. Como eu sabia que ainda teríamos uma outra bateria no fim da tarde e como o meu gás ja estava acabando, resolvi pousar o mais rápido possível, correr em casa, tomar um banho, almoçar, descansar e voltar a tempo de participar da intermiáavel espera na rampa. Decolei, cruzei a faixa e resolvi pousar na grama mesmo para não perder tempo. Meu planejamento funcionou a mil. Voltei na hora certa descansado e subi para a rampa. Só um detalhe furou. Eu fui desclassificado porque não pousei na areia. Tudo bem, estava escrito. Mas eu fiz a prova e cruzei a faixa, cabendo-me 900 pontos. Não concorri aos 100 pontos do pouso deliberadamente. Me bastava ganhar de 1 a 0. Se eu tivesse pousado, por exemplo, lá no Hotel Nacional, não seria penalizado. Essa é uma regra que eu não entendi porque foi criada. Se a prova é homem contra homem e um não aparece, o outro tem de ser o vencedor. A obrigatoriedade de decolar é, no meu entender, para que o vencedor pontue alguma coisa para desempates futuros. Desclassificar os dois foge a qualquer lógica. Eu pergunto: se na final tivesse acontecido o mesmo? Seriam desclassificados os dois finalistas? Se realmente não existe um motivo forte para tê-la, sugiro descartá-la para 98. Se existe, perdão pela minha ignorância em não perceber. De qualquer modo, o fantasma que quebrou a cabeça do Lars, acabou nos derrotando a ambos.

- E teve o Marcio que não fechou a prova na faixa voando contra um adversário que foi desclassificado na decolagem por ter arborizado. Só que não fechar a prova na faixa podia e ele ganhou com os minguados pontos(24) feitos com o pouso na areia. Aí está um exemplo da falta de lógica: pousar na areia é mais importante que fechar a prova? Tal como estão as regras, é. Na minha opinião, tendo decolado e o oponente não, ele ganharia de qualquer modo. Mesmo que não fizesse nada. Nesse caso, de 1 a 0.

- Os parapentes Xenon e Xyon dominaram o torneio. A expectativa do duelo com os Zen não se confirmou. Logo de cara houve um confronto Zen vs. Zen na primeira bateria(Sequerra contra André Luiz). O Marcelo Rambo estava sem inspiração e o Sequerra fez o que pode. André Fleury é que talvez se houvesse melhor se não tivesse dado a mancada de cruzar a faixa ao fazer o pilão no Pombal. Mas há que se reconhecer que os Nova foram muito bem voados. Além, é claro, de serem muito bons parapentes.

- Sobre cruzar a faixa e ter a prova encerrada, acho que se transplantou uma regra de asa perfeitamente dispensável na competição de parapente. O argumento é evitar permanência no túnel. Acho que se cria uma restrição estéril que em nada contribui para o espetáculo. Se alguém quiser fazer permanência no túnel que faça e vai acabar perdendo. Mas às vezes sai-se do túnel e se vai a rampa. É uma decisão de competição. Se um cara quiser sair na direção de Joatinga e dar a volta na Gávea, passando na Barra e voltando pelo Ralo, para fazer pilão na rampa, é um problema dele(quem sabe o Renato um dia não nos brinda com essa). Por que não fazer a faixa na praia em frente ao palanque? E deixar o piloto livre para voar onde quiser.

- Houve baterias extremamente rápidas durante o torneio. Registrem-se os tempos de 12 minutos feitos nas baterias de Sequerra (Zen) contra André Luiz(Zen) e Ruy Marra(Xenon) conta Renato(Xyon). Ambas em três pilões. Há 3 anos parapente fazer esse tempo seria inimaginável.

- Alguns pilotos andaram tomando fechadas brutais nas provas em que o vento estava muito forte e se escolheram pilões na Agulhinha e Pirulito. Pedro Chaves e André Fleury no Golf, Setor Praia, foram as mais aterrorizantes. O Ruy Pinto que vinha atrás presenciou tudo e decidiu: "ali eu não vou" e resolveu fazer o pilão por dentro d’agua.

- Pode ser que a gente se engane mas será que os gringos, se tivessem vindo, teriam tido a facilidade que sempre tiveram nos anos anteriores? Acho que nao. Eles estariam lá na frente mas sem o favoritismo passado. Vamos ver em 98.

- Sentimos foi a falta do Caio, do Alfredão, do Frank Brown e, obviamente, do Betinho e do Baby. Vamos ver se em 98 eles vêm. Para o gaúchos, realmente é complicado, mas os paulistas bem que podiam ter vindo. Estão dizendo que é por causa da decolagem sem vento. Será ?

- Chris Müller, o canadense que venceu o Campeonato Americano este ano e que também voa de asa chegou atrasado. Uma tremenda tempestade em Calgary o fez perder a conexão em Los Angeles e ele só participou do torneio de asa. Não se saiu bem sendo derrotado pelo Saquarema e Luizinho. Depois, conversando comigo, ele disse que esse tipo de competição tinha sido uma novidade para ele e que ele tinha voado meio desligadão, nem sabendo direito contra quem ele estava voando depois de decolar. Na segunda-feira, antes de voltar para o frio, ele andou fazendo uma exibicão de vrille e decrochage com o nosso Zen. Fiquei sabendo que o pai dele, o Willi Muller(que foi recordista mundial de alguma coisa de parapente), aos 52 anos, pratica e compete de snowboard free style(aquelas acrobacias malucas que a gente vê na TV).

- Um detalhe interessante é que o Chris me disse morar em uma colina de uns 100m de altura semelhante ao túnel do Pepino e que o terreno dele acompanha a crista de modo que ele tem uma extensão enorme de área para decolar de dentro de casa. Para não perder tempo, o pai dele construiu um hangar onde as asas já ficam montadas. Quando a condição fica boa, é só entrar no hangar, engatar e sair voando !