Lambada - Teste Completo

Tradução do teste do parapente Lambada feito pela revista francesa Vol Libre

Lambada, uma Valsa Alegre.

Tecnicamente

O Lambada incorpora o sistema de válvulas HIT(High Intake Valves) já usado no Keara, Thrust e Octa(Play for Two) cujo objetivo é a obtenção de mais rendimento e rigidez do velame quando a menores ângulos de ataque (acelerado).
O uso de células diagonais duplas o diferencia das arquiteturas clássica de
distribuição de carga nos pontos de ancoragem da suspensão - duas diagonais partem de cada lado inferior da célula, explicando assim a existência das costuras externas no extradorso.
Quanto ao tecido, a APCO permanece fiel ao Gelvenor “porosidade zero”. Gostando ou não, é necessário reconhecer a durabilidade desse tecido.
O acelerador “pica” mais o centro da vela do que as pontas para retardar o
risco de colapsos assimétricos.

Decola Gente!

A simplicidade da suspensão garante um cheque de linhas muito fácil, quase que com um simples sacudir da mão. Um pouco mais de maciez nas costuras das linhas ajudaria, no entanto, na eliminação de raras e pequenas embaralhadas.
Os pés-de-galinha da suspensão traseira não complicam durante a preparação, mas o
manuseio dos tirantes dianteiros ganharia em facilidade com o uso de uma fita de tecido mais rígido.
Para todas as condições de decolagem, é mais prático inflar sem usar o tirante A externo(deslizante) destinado as orelhas(e também para atenuar o ângulo de ataque das pontas durante a aceleração) e fazendo-o apenas com os tirantes A internos.
A subida da vela é monolítica e progressiva, mas sem lentidão ou pontos duros,
bastando uma tensão firme  e constante nos tirantes A internos. A tendência de avanço (ultrapassagem da vertical) é mínima ou quase nula se for mantido um pequeno deslocamento para a frente . Tem-se até mesmo uma ligeira parada que pede um ação mais voluntariosa do corpo para se acelerar mais efetivamente. Esse comportamento é quase de categoria escola e um ponto favorável em uma vela esportiva.
A decolagem não tem nenhuma dificuldade, seja de freio “frouxo” ou muito atuado. A sustentação se manifesta rapidamente como já é tradição nos velames deste fabricante. A permanência da vela na vertical do piloto é tranqüilizadora proporcionado uma boa estabilidade em todos os eixos.
Na decolagem com vento, o tranco é moderado apesar da subida progressiva ao inflar. A tendência de ultrapassagem é facilmente anulada, em vista do amortecimento decorrente da estabilidade já mencionada e através do “timing” normal para se posicionar sob a vela.

Primeiras Medições

Com 95 Kg de carga, a velocidade “mão alta” estabiliza em 38 Km/h , sendo 1 km/h maior que o valor fornecido pelo construtor (o fabricante sempre se caracterizou por anunciar valores bastante confiáveis de performance). O teste foi realizado, portanto, no limite superior da faixa de peso do tamanho S. Interessante que, em turbulência , a vela consegue conservar a sua velocidade que tende a oscilar mais na faixa entre 37 e 39 do que entre 36 e 38 Km/h.
Com o acelerador, o Lambada aumenta sua velocidade facilmente. Com um terço
de aceleração ele vai a 42 Km/h e atinge 44 Km/h na metade do curso. Com roldanas coladas a velocidade se estabiliza em 50 Km/h com picos a 53 km/h medidos no Skywatch. A desmultiplicação do acelerador não cansa e possibilita um ajuste fino de velocidade.
As suaves condições de outono permitiram aprimorar as medidas nos 38 Km/h de
”mãos altas” e o planeio (L/D) é praticamente 9. A 40 Km/h, obtém-se 8.8 dosando-se o acelerador! Essa manutenção do L/D com maior velocidade faz com que o Lambada se destaque nas tiradas para cruzar sobre os picos com vento de frente, sendo uma das velas de melhor performance, para não dizer a de melhor performance que já testamos na sua categoria.
Com 5 cm de freio,  a velocidade é reduzida a 35 km/h - 10 cm e 1,5 kg de esforço a
colocam a 30 Km/h. A progressiva ação do freio exige sempre mais amplitude e a vela atinge 27 Km/h com 3,5 kg de tensão e 25 cm de curso. Muito lento, o Lambada demonstra um aumento de instabilidade nos eixos de rolagem(eixo longitudinal) e guinada(eixo vertical) com um comportamento independente das semi-asas, inexistente acima dos 30 km/h, inclusive em turbulência moderada.
Seu melhor comportamento lento é obtido na faixa de velocidade entre 30 Km/h e 36 Km/h. Deve-se assim, deixá-lo voar, aplicando freio moderadamente nas térmicas mais suaves. A ligeira instabilidade, no entanto, não prejudica o conforto em vôo, mais na medida de uma valsa ou uma lambada frouxa do que um jerk ou de um twist!
No fim da polar, a 23 km/h, temos o estol bem sinalizado, com uma sensação
de entrada muito nítida e sem pêndulo significativo para trás e sem preocupação na saída. O avanço da vela certamente será amplo, mas muito progressivo e sem deformações expressivas do bordo de ataque. Dá até tempo de observar o trabalho das válvulas HIT.
O Lambada é destinado a pilotos atentos, que gerenciem bem os pêndulos, o que, face o amortecimento é tarefa bastante elementar.
De qualquer modo a estabilidade e o amortecimento em todos os eixos permitem
ao piloto deixá-lo voar mais solto em turbulência para manter o máximo de planeio e performance.

próxima